Eu não sou diferente... Os outros é que são muito iguais.

20070210

Óscar e relas

Às vezes apetece-me fazer como o Oskar Matzerath e recusar-me a crescer. O tempo está a passar depressa demais e a escapar-me por entre os dedos. Tempo, por exemplo, para ler Im Krebsgang (A Passo de Caranguejo), que está numa estante cá de casa há já alguns anitos... Mas antes de atacar a crustácea leitura, e após terminar o Süskind que tenho em mãos, pretendo reler Unkenrufe (Mau Agoiro). Esta é uma das minhas obras preferidas de Günter Grass. Talvez pela ironia. Talvez pela ideia utópica, quase romântica, da construção de um cemitério (com crematório), unindo assim na morte os que foram separados e desterrados - tanto política como inesperadamente - pela gadanha da guerra. Talvez pela importância da Pátria e da Mátria, e da ausência das mesmas, ou da não correspondência entre uma e outra, entre aquela do coração e a do papel. Talvez pela indefinição dos diferentes alemães e não só! do pós-queda aos nossos dias. Talvez por todo o desencanto. Do autor, da História, da estória, das personagens.

Para quem não sabe, Grass é também um excelente aguarelista.

20070208

Dia T mais 4

Hoje é o quarto dia sem fumo. Ainda não há vítimas mortais e/ou danos colaterais a reportar...

20070203

Sintomas a ter em conta

Reacções alérgicas graves com fraqueza e/ou desmaio e dificuldades em respirar (necessitam de cuidados médicos imediatos pois algumas delas como a dificuldade em respirar podem pôr a vida em risco).
Insónias e pesadelos, cansaço, tonturas, nervosismo, ansiedade, tremores, formigueiros, confusão, zumbidos, depressão e alterações da personalidade, alucinações e reacções psicóticas.
Perturbações da visão, do equilíbrio e da coordenação de movimentos.
Boca seca, inflamação na boca ou na língua, alterações (ou mesmo perda) do olfacto e/ou sabor, falta de apetite, indisposição do estômago, gases, prisão de ventre.
Fraqueza muscular, dores, dores lombares, dores na bacia, dores no peito, dores na perna, músculos ou articulações, dores nos tendões, ruptura do tendão.
Aceleração dos batimentos do coração, palpitações, paragem cardíaca, aumento ou diminuição da pressão sanguínea, dificuldade em respirar, inchaço na face, nas mãos, tornozelos ou pés.
Erupção na pele, comichão, pele seca, suores.
Pode afectar certos componentes do sangue provocando sintomas como febre, dor de garganta e sensação de mal estar geral.
Hepatite. Colite pseudomembranosa (manifesta-se por uma forte diarreia necessitando de cuidados médicos imediatos pois pode pôr a vida em risco).
Pode também provocar alterações nos resultados de certas análises sanguíneas.
Parece a descrição de alguma doença grave. Mas não. Trata-se apenas dos efeitos secundários que constam da bula do medicamento que me foi receitado para a sinusite aguda. Go figure!

E ainda há quem defenda a TLEBS!...

Redacção feita por uma aluna de Letras, que obteve a vitória num concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa. Recebido por e-mail.

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com aspecto plural e alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. O artigo, era bem definido, feminino, singular. Ela era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingénua, silábica, um pouco átona, um pouco ao contrário dele, que era um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.

O substantivo até gostou daquela situação; os dois, sozinhos, naquele lugar sem ninguém a ver nem ouvir. E sem perder a oportunidade, começou a insinuar-se, a perguntar, conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu-lhe esse pequeno índice.

De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro.

Óptimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinónimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeçou a movimentar-se. Só que em vez de descer, sobe e pára exactamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela no seu aposento. Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, suave e relaxante. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela.

Ficaram a conversar, sentados num vocativo, quando ele recomeçou a insinuar-se. Ela foi deixando, ele foi usando o seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo. Todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo directo.

Começaram a aproximar-se, ela tremendo de vocabulário e ele sentindo o seu ditongo crescente. Abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples, passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula.

Ele não perdeu o ritmo e sugeriu-lhe que ela lhe soletrasse no seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, pois estava totalmente oxítona às vontades dele e foram para o comum de dois géneros.

Ela, totalmente voz passiva. Ele, completamente voz activa. Entre beijos, carícias, parónimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais. Ficaram uns minutos nessa próclise e ele, com todo o seu predicativo do objecto, tomava a iniciativa. Estavam assim, na posição de primeira e segunda pessoas do singular.

Ela era um perfeito agente da passiva; ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisto a porta abriu-se repentinamente.

Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo e entrou logo a dar conjunções e adjectivos aos dois, os quais se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.

Mas, ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tónica, ou melhor, subtónica, o verbo auxiliar logo diminuiu os seus advérbios e declarou a sua vontade de se tornar particípio na história. Os dois olharam-se; e viram que isso era preferível, a uma metáfora por todo o edifício.

Que loucura, meu Deus! Aquilo não era nem comparativo. Era um superlativo absoluto. Foi-se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado aos seus objectos. Foi-se chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo e propondo claramente
uma mesóclise-a-trois. Só que, as condições eram estas:

Enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria no gerúndio do substantivo e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia transformar-se num artigo indefinido depois dessa situação e pensando no seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história. Agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, atirou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

20070131

20070127

Recuperar

Penso que é desta que vou recuperar o meu pequenino blog. Finalmente consegui pôr em dia uma série de coisas que se foram acumulando desde Dezembro.
Quanto à formação, confesso que me custou um pouco ter um horário rígido. Nos meus 12 anos de exercício da profissão docente, uma das minhas queixas recorrentes era ter um horário demasiado "flexível", ou melhor, inconsistente. Num ano tinha um horário de manhã, noutro de noite, no seguinte um misto, e assim sucessivamente. Pior ainda era quando tinha os 3 turnos num mesmo horário: à segunda entrar de manhã, à terça entrar ao almoço e sair às 23h, à quarta sair à noitinha, à quinta entrar às 9h e sair ao almoço, à sexta ter tudo cheio de furos... É demasiado cansativo e difícil conseguir uma rotina que ajude, tanto o espírito como o corpo, a adaptar-se ao esforço laboral.
O que me aconteceu neste primeiro mês de formação e de horário rígido (9h-18h) foi não ter sido prontamente capaz de gerir o pouco tempo que resta de forma proveitosa. Sair de manhã, regressar à noite, fazer a manutenção da casa e das refeições, bem como estudar para os exames e tentar manter hobbies e outros interesses, nomeadamente visionamento de filmes e leituras diversas. Agora penso estar a responder melhor a esta rigidez de horário. Não que me assuste. O que se passou foi mesmo uma questão de (falta de) hábito. Aos thirty-something-going-on-forty (iaiks!) descobri algo novo para mim: o famoso horário nine to five. No meu caso, nine to six.
Ainda quanto à formação, continuamos com o mesmo formador e os módulos da ECDL. As notas têm sido boazinhas, falta saber a de Excel. O exame teórico correu bastante bem, mas penso que, no exame prático, me esqueci de alinhar algumas células na folha e pôr limites num campo do gráfico. Sinceramente, não me lembro se o fiz ou não...
Estou a gostar bastante de Access. Na quinta-feira, devido a um campo estupidamente duplicado numa das tabelas (que teimava em escapar-me sempre que re-analisava as ditas), atrasei-me um pouco na construção dos formulários e das consultas, não tendo conseguido apanhar a forma de introduzir macros. Sabendo criar macros em Excel, é apenas uma questão de conhecer os passos específicos para as mesmas em Access. E foi exactamente essa a parte cuja explicação não consegui acompanhar por estar a recuperar o trabalho subsequente à correcção do campo duplo na tabela -> relações -> formulários -> consultas. Mas não há-de ser nada.

20070125

how to be emo


hehehe liiiindo hehe

20070111

Newsflash!

Hoje fazemos aninhos.