Eu não sou diferente... Os outros é que são muito iguais.

20081108

Da manif... e da educação

A 3za da Teia antecipou-se e "teceu" tudo o que eu não conseguiria dizer da forma como só ela o faz. Deixo aqui um (grande) excerto.
«... jornalistas com boas intenções (já agora, políticos também), que até se esforçam no estilo incisivo em jeito de defesa à nossa causa, mas com a lição mal estudada o que provoca o efeito contrário...

Alguém se lembrou de perguntar a MLR quem avalia quem e com que critérios foram definidos os avaliadores? Como foi arbitrária a divisão em professores e titulares (avaliadores) gerada por um ECD sem nexo (nas ilhas a divisão não aconteceu, o que é outro mistério insolúvel: um país e dois ECD) que contabilizou parâmetros absurdos de apenas sete anos, entre as dezenas que construiram o caminho dos professores e que, através das cotas em cada escola, permitiu a alguns chegar a titulares quando em condições idênticas ou muito superiores - o mais comum - o não conseguiram outros professores noutras escolas? Como é possível ter professores de uma área a avaliar professores de diferentes áreas que não a sua? A minha avaliadora (Ciências e Matemática do 2º Ciclo) terá de avaliar todos os professores de informática do 3º Ciclo. Se é anedota? É o rigor apregoado... Como é possível ter, em muitos (demasiados) casos, professores menos qualificados a avaliar outros com maior graduação e mais currículo? Como é possível ter parâmetros que só se aplicam a certos professores, sem que haja tratamento diferenciado dessas disciplinas, num claro atentado à mais elementar justiça do processo por colocar as pessoas em situação de desigualdade?
Alguém perguntou a MLR o que é isso de haver um Despacho que permite aos avaliadores faltar às suas próprias aulas para ir observar as dos colegas e lhes impõe a análise de dezenas de portefólios, materiais e reuniões com os avaliados em vez de preparar as suas próprias aulas? Que a "leizita" a permitir a delegação de competências está escondida na proposta de orçamento para "facilitar" e foi arranjadinha para calar as dúvidas legítimas dos professores sobre quem os vai avaliar?

Um erro laborado sobre uma imensidade de erros é o "único modelo disponível"? O único que conseguiram produzir?
Estou esclarecida.
Tanto quanto fiquei quando ouvi MLR num prós e (prós?) afirmar que não entendia a dificuldade dos professores avaliarem outros professores, pois sempre tinham avaliado alunos... Obviamente. Isto é tudo a mesma coisa. Daí a razão de se poder avaliar qualquer professor de qualquer disciplina independentemente da nossa formação e preencher umas grelhas mesmo que não se perceba o que significa o que lá está. E não há quem depois questione estes disparates quando os escuta. Inenarrável.

Muitas mais perguntas haveria para fazer...

Mas já estou cansada de as fazer.

Tenho sempre esperança que alguém as faça quando tem a oportunidade, mas perco-a em cada entrevista que escuto, em cada discurso político feito de generalidades apanhadas aqui e ali (sem ler e aprofundar os assuntos).

Mas isto sou eu a querer outra espécie de país, daqueles exigentes e não daqueles a fingir que o são, mas começo a achar que é difícil. E isto sou eu a evitar dizer que é impossível para tentar não deixar de acreditar em alguma coisa. (...)»

3 comentários:

F.M. disse...

Pois é, V. só me lembro, pensando na nossa M.,"eu antes quero... muda a expressão, os lábios mentem ...os olhos não", dito de memória...
Após ter estado na manif, ter ouvido as declarações da M. fiquei cá com uma vontade de acrescentar imensas palavras e questões. As que colocaste aqui são deveras pertinentes.

Vee disse...

São da 3za, acutilante como sempre!

3za disse...

:)
Quem me conhece sabe que eu sou assim tipo diplomata doce, conciliadora e tal, embora não pareça... Mas esta tutela inquieta-me, faz-me ir a manifestações, faz-me gritar por mais justiça e inteligência. É mais forte do que eu... Obrigada pelo vosso carinho na desmultiplicação das palavras... :) Abraço solidário